Introversão: A redoma protetora

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Não é segredo para ninguém que os introvertidos em geral buscam menos estímulo fora de si mesmos, sejam eles atividades físicas, grande acúmulo de pessoas, barulho, agitação.

Nós preferimos em geral nos voltarmos para dentro, para nosso interior e quando agimos externamente, normalmente, é com um fim em mente.


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Caso queira, este é o post sobre Introversão


De acordo com Jung, isso se dá pela forma com que preferencialmente processamos nossa energia psíquica.

Já pela explicação científica, onde, apesar de tanto os introvertidos quando os extrovertidos tenham um nível semelhante de dopamina no cérebro, a diferença está em como o sistema de recompensa de cada um funciona diferentemente em relação a ela.

Tanto Es quanto Is ficam mais ativos, falantes, empolgados e desinibidos quando a dopamina está ativa, porém os Es que utilizam ela como principal neurotransmissor sentem necessidade de alta quantidade de estímulos externos, que para a maioria dos introvertidos é demais e desconfortável.

Já os introvertidos usam um neurotransmissor diferente, a acetilcolina, que também está ligado ao prazer, porém quando nos voltamos para dentro. Ele impulsiona a habilidade de pensar profundamente, refletir, focar intensamente em uma única coisa por longo período de tempo (concentração).


Até aí, ótimo, com certeza cada qualidade tem seu momento certo para brilhar. Estou aqui para refletir sobre o porque então os introvertidos, apesar de adorarem seu tempo a sós consigo mesmos, muitas vezes também procuram se sociabilizar e não conseguem. Mesmo que queiram, possuem poucos amigos e poucas pessoas que se dão ao trabalho de manter relações, sejam elas amorosas ou de amizade por muito tempo.


Normalmente, temos poucas amizades profundas e, em geral, poucos relacionamentos sérios ao longo da vida (Serial Monogamists), o que é ótimo, porém quando por qualquer motivos perdemos essas amizades ou pessoas especiais, acabamos ficando muito tempo para encontrar outra e quando encontramos, muito mais tempo ainda para forjar o nível cumplicidade e ligação com o qual nos sentimos confortáveis e gostamos.


Para o introvertido, a distinção entre nossas relações com essas pessoas específicas e as demais, é bem clara, e por isso muitas vezes elas são “insubstituíveis” em nossas vidas. Prezamos qualidade ao invés da quantidade. Somos aqueles que mesmo depois de adultos mantemos o conceito de “melhor amigo(a)”, por mais infantil que pareça.



Possíveis Motivos


Minha visão sobre o assunto pela ótica do MBTI é que todos nós introvertidos temos como nossa função principal uma função introvertida.

Essa é a função principal, a que nascemos com ela, a mais natural e fácil de usarmos, e de fato, a forma com que interpretamos os acontecimentos, o mundo, e as pessoas que nele habitam.

Isso não quer dizer que a usemos de forma adequada, correta, equilibrada ou nada disso. Isso vai acontecendo a medida que vamos amadurecendo, aprendendo, acertando e errando, e principalmente nos autoconhecendo.


A função principal de um introvertido pode ser uma das quatro seguintes:


    Percebedora: Intuição introvertida (Ni) ou Sensação introvertida (Si).

    Julgadora: Sentimento introvertido (Fi) ou Pensamento introvertido (Ti).



Visão geral das funções e como isso pode nos atrapalhar


Vamos a uma visão geral de cada uma dessas funções e como ela pode estar contribuindo para nossa solidão e dificuldade em nos relacionar com as pessoas em geral, causando assim essa situação de termos poucos amigos, e não sermos tão populares com as pessoas (Extrovertidas), nem costumamos ser ou gostar de ser o centro das atenções.


Não que isso seja algo bom em si mesmo, acho que nenhum introvertido gostaria de ser sempre o centro das atenções por estar fazendo palhaçada, ou sendo o piadista da mesa ou porque somos espalhafatosos e falamos mais alto que os demais.

Mas a extroversão consciente é muito útil na vida social, amorosa e profissional, é nesse ponto que quero refletir sobre como a introversão possa nos prejudicar.


Antes, preciso explicar que cada tipo tem sua função dominante (principal), a qual pode ser extrovertida ou introvertida.

E também uma função secundária de cada tipo, aquela que precisa ser desenvolvida para contrabalancear a primeira. Essa secundária será necessariamente o oposto da primeira tanto no eixo Julgador-Percebedor quanto no eixo Extrovertido-Introvertido.


Ou seja:


Dominantes de Intuição introvertida (Ni-Dom)

Terão sua secundária unicamente como Sentimento extrovertido (Fe-Sec) ou Pensamento extrovertido (Te-Sec)


Dominantes de Sensação introvertida (Si-Dom)

Terão sua secundária unicamente como Sentimento extrovertido (Fe-Sec) ou Pensamento extrovertido (Te-Sec)


Dominantes de Sentimento introvertido (Fi-Dom)

Terão sua secundária unicamente como Intuição extrovertida (Ne-Sec) ou Sensação extrovertida (Se-Sec)


Dominantes de Pensamento introvertido (Ti-Dom)

Terão sua secundária unicamente como Intuição extrovertida (Ne-Sec) ou Sensação extrovertida (Se-Sec)



Visão das funções no seu estado desequilibrado e quando não estão em check pelas demais funções disponíveis para o indivíduo (com uma pitada de sarcasmo, claro!)


Intuição introvertida (Ni)

Passam a vida criando uma visão perfeita de como o mundo e as pessoas deveriam ser mais analíticas, racionais, e terem um propósito definido para o qual trabalharão intensamente ao longo de sua vida não deixando nada nem ninguém atrapalhá-los (Ex: dominação do mundo (Te-Sec) ou o mundo dos ursinhos carinhosos (Fe-Sec)). O sonho de um usuário de Ni como função principal ou Ni dominante (Ni-Dom) é que as pessoas e o mundo façam sentido e sejam otimizadas para o melhor desempenho, não deixando os sentimentos atrapalharem (Te-Sec), ou que o mundo seja um lugar melhor e mais justo e as pessoas mais harmônicas umas com as outras, sejam menos frias e egocêntricas (Fe-Sec). Qualquer evento ou pessoa que atrapalhe ou não contribua para a criação ou atingimento dessa visão, deve ser descartado como um impecílio (ou destruída rs).

   

Sensação introvertida (Si)

Passam a vida acumulando conhecimento do que funciona ou não na prática.

Depois que um método foi testado e aprovado, catalogam como a norma, para que mudar?

São os eternos criadores de regras, normas, e políticas. São apegados ao passado e as relações que já formaram, normalmente muito apegados a família e filhos. Colocam os interesses das pessoas que prezam em primeiro, segundo e terceiro lugar negligenciando as demais pessoas e a si mesmo. Interesse em ensinar a próxima geração, pois ela que carregará a tradição adiante (senso de dever). Por isso são focados também em ensinar as crianças, por serem a segurança da continuidade da tradição que lhes parece mais adequada. Focam em moldar e vigiar o mundo de acordo com as normas, as regras e políticas estabelecidas a qualquer custo (Te-sec) ou de acordo com as normas éticas e sociais como eles as veem, na eterna busca pelo melhor para todos (Fe-sec).

   

Sentimento introvertido (Fi)

Passam a vida montando um códice extremamente detalhado de ética, moral e valores baseados em tudo que viram e vivenciaram no mundo das pessoas. Desde criança, avaliam cada ação e atitude em si mesmas e nas pessoas e como isso afeta a vida delas, suas relações umas com as outras e principalmente como essas ações dos outros afetam à si próprias. Adoram estudar qualquer tipo de framework moral, como religiões, psicologia, filosofia, direito, e qualquer coisa que permita separar o joio do trigo, as pessoas morais das imorais, eticamente superiores das eticamente inferiores. Lutam com todas as forças para manterem seu próprio senso moral e sua conduta o mais ilibada possível. E por isso que sofrem, julgam e condenam quando as pessoas não conseguem (ou não querem) viver sob esses preceitos morais idealizados. Fazem isso com foco em como as coisas poderiam e deveriam ser (Ne-sec) ou em como as coisas já são e como podemos mudá-las no aqui agora (Se-sec).

   

Pensamento introvertido (Ti)

Passam a vida montando frameworks lógicos de como a vida deveria ser e as pessoas.

Focados geralmente apenas na causa e consequência, não consideram os valores humanos como uma variável da equação.

Se um mendigo está na rua é porque ele não se esforçou para estudar e arrumar um emprego ou porque a sociedade é injusta mesmo, e ponto, lógica concluída, próximo tópico.

Sentem-se satisfeitos em apenas avaliar logicamente os sentimentos, e não sentem-se movidos a agir só porque algo foi “sentido”. Sendo assim são movidos apenas se algum objetivo claro possa ser alcançado e se fizer sentido (lógico). Fazem isso com foco em como as coisas poderiam e deveriam ser (Ne-sec) ou em como as coisas já são e como podemos mudá-las no aqui agora (Se-sec).


Bom, baseado nessas descrições, acabo concluindo que no nosso pior, podemos agir de forma egocêntrica, ser intransigentes, julgadores, idealistas. Podemos também, sem perceber, nos afastar de qualquer coisa ou pessoa que não caiba em nosso framework de ideias, ética, visão ou vida.

E acredito que isso possa acentuar ainda mais nosso distanciamento das pessoas e do mundo.

Claro que como introvertidos que somos, adoramos e precisamos de nosso tempo solitário, não estou falando de estar só por escolha, e sim de sentir-nos sozinhos, mesmo quando gostaríamos de ter pessoas participando de nossas vidas.


A verdade é que por sermos a minoria, e como já falei em outro Post, não encontrarmos os demais introvertidos com tanta facilidade por estarem em casa solitários ou na web, passamos nossa vida sendo levemente (ou não) julgados e incompreendidos. Não é incomum um introvertido chegar a fase adulta com algum tipo de desvio psicológico (pequeno ou grande), problemas de autoestima e uma certa desconfiança em relação as outras pessoas e ao mundo.


Quando crianças por exemplo, podíamos ser tão animados, brincalhões, patetas, exploradores e empolgados como qualquer criança, mas sendo nosso ponto de vista (interno) sobre o mundo muito diferente, podemos acabar nos identificando como uma espécie de patinho feio (alias, o autor, Hans Christian Andersen é tido como INFP, Fi-Dom, acho que não é coincidência), pois passamos a vida sendo questionados do porque somos assim, do porque não podemos ser como as demais crianças e sendo vistos como um pouco (ou muito) estranhos.


Dado a essas e outras experiências podemos acabar criando uma série de barreiras durante a infância e adolescência para nos poupar emocionalmente.

É aí que entram nossas funções dominantes, pois pode ser através delas que criamos algumas dessas barreiras protetoras ao longo de nossas vidas.


Conclusão


Pode parecer um pouco soturno, mas a verdade é que a maioria de nós seres humanos precisamos passar a vida toda corrigindo em nós mesmos os erros provenientes da nossa criação e dos eventos ruins aos quais fomos expostos quando ainda não tínhamos ferramentas psicológicas para lidar com eles. Acredito que ao invés de ter que decorar classes, filos, nomes de países, sexualidade dos insetos e aquelas coisas que nada agregam, muito mais útil seria aprendermos na escola psicologia básica, ferramentas e conceitos psicológicos para lidarmos desde cedo com os eventos naturais ou bizarros da vida, em como manter relações saudáveis e como compreender e internalizar as coisas saudavelmente, integrando tudo isso dentro de nós da forma adequada.


Diante disto, minha proposta é que para os introvertidos que sintam que ainda tem sentimentos ou traumas não resolvidos dentro de si que estejam atrapalhando sua vida pessoal, amorosa, profissional ou que estejam causando desconforto internamente, que estudem profundamente a função dominante do seu tipo e como ela se relaciona com as outras suas 3 funções. Estude o loop dominante-terceária e quando ficamos presos na função inferior (in the grip) e nossa energia começa fluir da forma contrária à natural, iniciando pela inferior e indo em direção a dominante (de baixo para cima).


Acredito que há muito a ser aprendido sobre ela do ponto de vista de como a função dominante se deforma para ajudar a nos proteger dos eventos externos. E talvez ajude a compreender também esse tipo de sensação de superioridade que sentimos em relação aos outros, devido a nossa função principal ser voltada para dentro e termos dificuldade enquanto ainda imaturos de ver o ponto de vista alheio. Acaba que no fundo, isso nada mais é que outra camada de proteção onde preferimos acreditar que não precisamos de outras pessoas pois elas que não são adequadas para estarem em nossa vidas, quando na verdade trata-se as vezes apenas de nossa inabilidade em fazer amizades com interesses, hábitos e visão de vida diferentes das nossas, e assim criamos nossa própria versão da fábula da raposa e das uvas de Esopo.


E por fim, podemos avaliar como esses tipos de “proteções” podem estar passando uma imagem diferente de quem realmente somos, e afastando assim pessoas que nunca tivemos intenção de afastar de nossas vidas.


Caso queira, este é o post sobre Introversão

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