Anúncios

Racionais (T) vs Sentimentais (F)

Vou tratar o (T) e (F) como se fossem duas entidades separadas para elucidar melhor as diferenças. No MBTI o fato de ter a letra F ou T no seu tipo tem consequências maiores que apenas ser mais sentimental ou racional, trata-se de quais funções integram o seu tipo. Todos os tipos tem pelo menos uma função F e uma T, o que diferencia cada tipo é o grau de consciência/inconsciência e por isso, sua preferência e habilidade em utiliza-las.

Vou dar ênfase ao (F) pois acredito que o (T), na era racionalista, empirista, e do cientificismo em que vivemos, não causa confusão alguma. Já o (F) é quase sempre incorretamente interpretado.

Não sabe o que é MBTI e está boiando? Clique aqui: MBTI

Definições e Equívocos

Primeiro grande equívoco é confundir sentimental com emocional.

Para a teoria Jungiana, todos temos emoções, que podem ser simples ou complexas, suaves ou intensas. Um tipo ser (F) nada tem a ver com isso, trata-se da forma com que toma decisões e julga/avalia todas as situações, pessoas, e a si mesmo.

Se você tem duvida que um tipo racional não possa ter um surto emocional, dar chilique, causar drama e fazer uma cena, experimente não seguir as regras estipuladas/acordadas, não seguir o procedimento estabelecido, quebrar o contrato, gastar mais que o budget permitia só porque deu vontade de fazer mais coisas na hora, diga para ele que não está sendo “racional” ou o que ele diz não faz sentido algum, ou pegue o caminho mais longo e mais caro, só porque tinha as melhores paisagens a serem vistas. 😉

Ainda mais se forem (S) Sensores.

Dito isso, do que se trata exatamente essa distinção?

Trata-se única e exclusivamente da forma com que as decisões são tomadas. Ambos os tipos podem tomar ótimas e péssimas decisões, avaliar muito bem situações e chegar às melhores ou piores conclusões, etc.

Segundo grande equívoco, é chamar Pensamento (T) de racional, e Sentimento (F) de irracional.

Como já ficou claro no trecho anterior, Sentimento para Jung não é a mesma coisa que emoções. Emoções podem ser irracionais, sentimentos não. Racional para ele significava discriminar, analisar, tomar decisões, avaliar, planejar, e escolher o caminho a ser seguido ou atitude mais adequada. E ambos são plenamente capazes disso, como ficará claro mais para frente. Logo, as 4 funções Julgadoras (Fe, Fi, Te e Ti), são todas racionais, pois discriminam, avaliam e tomam decisões, em oposto as funções Percebedoras (Se, Si, Ne e Ni), as quais sim, são irracionais.

A diferença está no processo pelo qual os tipos naturalmente chegam as suas conclusões:

  • (T): Tem preferência usar a lógica pura, objetividade, fatos, orientado a tarefas e resultados.
  • (F): São guiados mais pelos valores, ética, harmonia, subjetividade, senso comum e bem humano.

Portando ambos tem uma lógica sólida por trás, só que essa lógica é alimentada por fundamentos muito diferentes.

E por isso que o mal entendimento da visão do outro, pois os (T) tratam os (F) como não práticos, “sentimentais” (quando querem dizer emocionais), e que acrescentam fatos irrelevantes para a situação. Já os (F) acusam os (T)s de serem frios e calculistas, robôs sem coração.

A diferença está em como processam as informações, sendo mais Subjetivamente (F) ou mais Objetivamente (T):

Racionais (T)

  • Por serem objetivos conseguem se desapegar da situação. 
  • A separação entre sujeito e o objeto fica muito mais claramente distinta. Capazes de tomar decisões mais imparciais e as vezes mais justas por isso. Focados no resultado, pesam as variáveis, onde o fator humano acaba sendo apenas mais uma das variáveis, a não ser que o sofrimento causado seja muito intenso. 
  • Um pouco de sofrimento humano, se o fim justificar, faz parte da vida. Não no mal sentido, não são tão frios quanto parecem aos (F)s. Mas para um F as decisões puramente T, como mandar alguém embora, podem parecer frias e calculistas, quando na verdade todos os fatores forem pesados igualmente, e o fator humano tinha o mesmo peso que os demais.

Sentimentais (F)  

  • Por serem subjetivos, não conseguem se desvincular da situação externa. 
  • Quando algo acontece que mexe com um (F), na hora eles se perdem e se misturam à situação. 
  • Não sabem onde o objeto termina e o sujeito começa, e por isso, torna-se uma coisa só.
  • Por conta disso, são mais empáticos, tem facilidade de se colocar no lugar dos outros e antecipar a necessidade emocional de outra pessoa e agir de acordo. Porém quando existem fatores emocionais ou pessoais envolvidos, podem perder completamente a objetividade e argumentar apenas do ponto de vista próprio, com o intuito apenas de apaziguar as fortes emoções que foram despertadas ou os valores que foram feridos.


Exemplo:

Esse é a clássica briga entre marido e mulher, em geral T e F respectivamente.

Onde a mulher argumenta emocionalmente, com a intenção (diria sonho) que seu marido entenda que naquele momento a conexão emocional e intimidade entre eles foi perdida e seus sentimentos foram ofendidos, tenta de todas as formas chamar a atenção dele para isso, e buscar a re-conexão, ainda mais se tiverem o tipo de apego ansioso. Nesse momento ela lembra de várias coisas do passado que ele fez e começa a jogar na cara dele. 

Mas a ideia é apenas comunicar que naquele momento ele a está novamente magoando, e afastando ela do mesmo jeito que foi feito no passado. Ela também generaliza, falando que ele nunca faz nada, ou sempre faz aquilo, pois novamente, para o sujeito não há tempo e espaço, pois ela é hoje a mesma pessoa que era naquela época. Aquela pessoa que está sofrendo ali e agora no presente.

E o marido não entende como ela não vê a situação friamente, e se atem aos fatos concretos. Porque raios está trazendo as coisas do passado, estamos falando da situação atual, certo? Não tem relação alguma! Porque está jogando coisas do passado na cara dele, isso é irracional! Melhor fugir daqui e desaparecer…

Ele em troca, se põe a listar todas a vezes que fez alguma coisa, e todas as vezes em que ele não foi assim, tentando deixar claro de forma objetiva que ela está errada.

Sem chance alguma de sucesso. Pois o F nesse momento não está argumentando ideias, fatos, objetos concretos a partir da lógica pura, e sim comunicando (ou tentando pessimamente comunicar) como seus sentimentos e valores foram ofendidos.

Vejam que ÂMBAS as funções são racionais de acordo com Jung. O que muda é o foco da energia.

Uma é subjetiva por natureza e por isso preocupada com o componente humano e envolvida na situação. Já a outra, é objetiva por natureza, com visão factual, e se afasta da situação para ter uma visão desapegada e panorâmica.

Exemplo:

Evento:  Por exemplo. Cachorro na rua sofrendo.

Racional (T): Nossa cachorrinho sofrendo, que triste. – Continua andando e segue a vida… 

Sentimento Introvertido (Fi) – Ética, Moral e Fortes Valores Subjetivos – Exagerado:

Meu Deus! Um cachorrinho indefeso sofrendo, eu preciso fazer algo, porque que tipo de pessoa eu seria se não fizer algo a respeito? Um excremento humanoide, com certeza! E agora, levo ele pra casa? Porque todo mundo passa sem nem dar bola? Que mundo escroto é esse que vivemos, onde as pessoas não tem mais amor ao seres vivos! A humanidade está perdida! Mas não posso ser como eles e por isso preciso fazer algo! Sim, vou levar ele para casa. Porque se o mundo o esqueceu, as pessoas não tem coração e até Deus o abandonou, eu que não serei parte disso, preciso ser a diferença que eu quero ver no mundo. – Leva o cachorro para casa, mesmo sem ter espaço e nem dinheiro ou tempo para cuidar… Mas foda-se, é por um bem maior!

Sentimento Extrovertido (Fe) – Conexão Emocional – Exagerado:

Sente a dor e sofrimento do bichinho em si mesmo, inclusive no próprio corpo. Nó na garganta, dor no “coração”, tristeza emocional intensa. Pois pelo sentimento ser extrovertido é quase impossível de segurar as emoções. São aquelas pessoas que choram quando os outros choram, ou mesmo vendo cenas tristes, sejam reais ou fictícias. E pelo sentimento intenso e por ter se colocado no lugar do cachorrinho, são compelidas a levá-lo embora também.

Mais um exemplo, bem prático para elucidar a diferença:

Uma família, pai, mãe, e dois filhos estão perdidos na selva, a noite caiu, estão cansados e com fome, e mal sabem o que fazer. A situação é extrema, vários dias sem comer direito, e a beira do desespero, eis que um bamby aparece saltitando na mata. O pai está armado com sua espingarda.

Pai (T): Família com fome, arma carregada na mão, sem perigo iminente para a família, bamby é alimento, BOOM! Família, o jantar está servido!

Pai (F): Família com fome, arma carregada na mão, sem perigo iminente para a família, bamby é alimento, mas matá-lo (matar animais) é contra meus valores, e agora?

Será que eu posso tomar uma atitude que leve o melhor a minha família, sem comprometer meus princípios? Mesmo porque o bamby não tem culpa de estarmos perdidos na selva e não merece morrer por isso. Eu lembro de ter visto uma árvore frutífera a 1 KM atrás, talvez eu consiga voltar para buscar frutas, assim todos ganham. Não, não é possível, já caiu a noite e não sei o caminho.

Então olha para a esposa esperando uma decisão, para os filhos chorando de fome, olha para o bamby, segura a respiração e BOOM. Enquanto comem, tenta reconciliar o acontecido e tenta realinhar com seus profundos valores. Tratava-se de uma situação extrema, não havia outra solução, e o mundo não é um lugar pior e nem eu sou uma pessoa pior por querer salvar a minha vida e da minha família.

Deu para ter uma ideia da diferença?

No fim, ambos chegaram a mesma conclusão lógica, e ao mesmo objetivo, porém para o (F) foi e será necessário um restabelecimento do acontecido com seus valores pessoais, e talvez da sua visão de si mesmo e do universo. Claro que tudo que descrevi aconteceu numa fração de segundos em sua cabeça.

Claro que tudo isso também dependerá de se matar animais está entre seus valores e sua experiência de vida, criação, etc.

Se aquele F em particular cresceu numa família de caçadores, ou se teve uma criação onde enfatizaram o uso da lógica pura, a atitude e o efeito de tudo isso pode ser amenizado bastante.

Nessa nossa era, temos um viés de achar que o racionalismo é superior aos valores, ética e o lado humano.

Fomos criados assim. Fomos bombardeados na escola com essa “programação” mental, a ponto de muitos (F)s, principalmente homens precisarem esconder esses traços em si mesmos, por erroneamente estarem associados ao feminino.

Mas trago para reflexão os casos de Stálin e Hitler (Extremando o T) e Gandhi e Jesus (Extremando o F).

Todos conseguiram em parte ou totalmente seus objetivos, mas de formas bem diferentes.

Conseguem julgar qual o “melhor”?

Nenhum dos dois é melhor (F ou T), ambos tem sua hora e situação adequadas para serem enfatizadas.

Então porque os Fs parecem sempre muito mais emocionais que os Ts?

Na verdade qualquer pessoa que tiver seus valores, moral e ética ofendido tenderá a ter uma reação pessoal, e possivelmente emotiva, á altura. Pois valores são sempre muito pessoais, e preciosos para todos, e sendo assim, pontos bem sensíveis.

Só que os Fs lideram seu processo psicológico com sentimentos e valores, ou seja, não tem proteção alguma para evitar que estímulos externos trombem, ofendam, machuquem ou ataquem seus valores.

Então, geralmente é muito mais fácil você ofender e causar uma emoção forte num F do que num T, que tem o escudo da lógica objetiva dos fatos antes que seus valores sejam alcançados por estímulos externos.

Segundo, que pelos Ts se liderarem seus processos psicológicos com a lógica objetiva, tendem a achar um sinal de fraqueza externar as emoções ou deixar que elas guiem suas ações. O que acaba tornando até ponto de orgulho para muitos Ts. Ou seja, mesmo quando reagem com emoções fortes, farão de tudo para ocultar, parecerem com a mesma calma e compostura de sempre.

E como funciona na prática:

Sentimental (F):

  • Evento: Alguém fala algo ofensivo.
  • F primeiro: Aí! Cacete! Meus sentimentos e valores foram atacados…
  • Reação emocional forte!
  • T depois: Espera, será que eu entendi certo? Quais as evidências objetivas para ela ter querido me ofender? Ah, entendi, foi interpretação errada. Começa a acalmar, mas o estrago já pode ter sido feito.

Racional (T):

  • Evento: Alguém fala algo ofensivo.
  • T primeiro: Espera, será que eu entendi certo? Quais as evidências objetivas para ela ter querido me ofender?
  • Resposta negativa, sem evidências de ofensa.
    • F depois: Ok, tudo tranquilo, continuar conversa normalmente.
  • Resposta positiva, ofensa detectada.
    • F depois: Aí! Cacete! Meus sentimentos… Reação emocional forte! Mas tentando se controlar e fingir que o emocional não foi afetado para não dar o braço a torcer.

Claro, extrapolei bem as comparações para fazer meu ponto, mas da mesma forma que o emocional não cabe tanto na física, engenharia, planejamento da empresa, finanças e não devem ser tão levados em consideração na decisão de comprar uma casa ou carro, também, o racionalismo não deveria ser o mais enfatizado em decisões que envolvem o social, relacionamentos pessoais, de ética e valores.

Sem o (F) também não haveriam obras de arte, arquitetura (pois a forma mais racional seria sempre um prédio caixote – engenheiro), música, dança, livros, etc. pois todas essas são manifestações do subjetivo, expressões dos sentimentos e emoções do autor, compositor ou do artista. A cultura e criatividade como a conhecemos não existiria.

Portando tenhamos consciência quando nos julgarmos superiores a outra metade da moeda. Mesmo porque cada tipo é composto sempre de uma função F e uma T, ou seja dificilmente seremos um dos extremos. Então quando for tentar avaliar se alguém é mais F ou T quando estiver tendo um pequeno (ou grande) surto psicológico, antes pergunte-se: Qual o motivo?

Porque cheguei atrasado: Mas isso irritou porque agora o ingresso será mais caro ou porque uma pessoa que tem consideração não se atrasa e deixa a outra esperando.

Porque fui traído: E agora terei que me separar, sofrer, gastar dinheiro, não ver meus filhos ou por tudo isso e ainda porque quem ama não traí, porque pessoas não deveriam fazer isso umas com as outras.

Porque perdi o emprego: E agora como sustentarei minha família, quais passos terei que tomar para encontrar outro emprego ou tudo isso e mais, não acredito que a empresa demitiu 10 pessoas enquanto trocou todos os carros dos gerentes para um modelo 5 vezes mais caro. Isso não é justo!

Podia citar muitos exemplos, mas deu para entender como os Fs muitas vezes podem sofrer em dobro, mas não porque são emocionais e sim porque sofrem pelo acontecimento real e mais ainda por terem tido seus valores e ética “feridos”, sua visão (muitas vezes idealizada, eu admito) do mundo e das pessoas foi atacada.

Conclusão

Enfim, a diferença nem existe quando o assunto ou decisão não envolve valores pessoais, como onde jantar, qual casa comprar, onde passar as férias, qual melhor emprego ou carreira a escolher. Só é possível diferenciar claramente as duas funções quando as decisões envolvem ética e valores pessoais, como nos exemplos que dei acima.

Não preciso dizer em qual categoria muitos empresários, políticos e chefes de família estão, né?

Outro ponto importantíssimo é que todo indivíduo tem uma função cognitiva F e uma T. Sem exceções. Logo, todo ser humano usa um misto de todas as características citadas aqui. A diferença entre um tipo MBTI F ou T, é em que grau essa função está consciente e é usada habilmente, e de forma mais natural.

Para concluir, deixo claro que os (F)s são extremamente racionais, e muitas vezes seguem carreira na área de exatas e são excelentes cientistas. Ser sentimental, nada tem a ver com esse tipo de inteligência.

E como nos exemplos que dei, tanto os Ts quanto os Fs podem ter descontrole emocional, muitas vezes os Ts, muito piores, pois quando acontecem, os mesmos as vezes não tem prática ou habilidades psicológicas (sentimentais) desenvolvidas nessa área emocional para lidar com aquilo tudo, nem o aparato adequado.

Seria como tentar consertar a espaçonave da NASA com o kit de ferramentas da Leroy Merlin.

Entendem o quão profundo pode vir a ser o conhecimento quando vamos atrás?

De novo reitero, que, o MBTI e a tipologia de Jung não é tipo astrologia, onde apenas características comportamentais são feitas dos signos, a nível de curiosidade, só para entreter e depois partir para o próximo meme.

É uma coisa muito mais profunda, que realmente pode mudar a sua vida, relações, e seu destino para sempre!

Então, uma coisa são os 4 eixos E-I, F-T, N-S e T- P. Isso é uma denominação do Myers-Briggs Test Indicator (MBTI) que foi baseado na teoria de tipologia de Jung, essas letras, como no meu tipo (INFP), são apenas um mnemônico para encontrar as funções por trás de cada tipo. Tem um algoritmo para isso, que posso explicar em outro post caso queiram. 

Então para quem quiser se aprofundar na teoria da tipologia de Jung precisa estudar as funções propriamente ditas, a interação entre elas, a ordem em que estão no seu tipo, etc.

Se animou? Faça o teste e descubra seu tipo e suas características: MBTI 

Anúncios

2 comentários em “Racionais (T) vs Sentimentais (F)

Adicione o seu

  1. Eu adorei!!
    Mas achei desnecessário quando falou de astrologia.
    Eu estudei astrologia,ela não é feita só pra entreter,faz muito sentido e tem seu nível profundo.
    É uma pena e concordo contigo que a maioria das pessoas, não conhece o lado profundo.
    Eu só acho que assim o MBTI é maravilhoso. Mas não é melhor e nem pior do que outros estudos. É apenas diferente!!

    1. Também acho. Falo assim dos sites superficiais tanto de astrologia quanto do mbti que dão descrições tão genéricas que servem para todos os mundo. Agora tanto um quanto o outro quando estudado mais profundamente é fascinante.

Deixe uma resposta

Powered by WordPress.com. Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: