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Racionais (NT): Inteligência Estratégica

Este post visa explicar os 4 temperamentos descritos por David Keirsey, PhD. Para isso traduzirei partes na íntegra, adaptarei e complementarei com algumas outras informações.

Esta série de posts são traduções na íntegra do livro Please Understand Me II de David Keirsey, PhD.

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Introdução

O temperamento é um conjunto de traços de personalidade observáveis, tais como hábitos de comunicação, padrões de ação, conjuntos de atitudes, valores e talentos característicos. Abrange, também, as necessidades pessoais, os tipos de contribuições que os indivíduos fazem no local de trabalho, assim como o papel que desempenham na sociedade. David Keirsey, PhD identificou quatro temperamentos básicos, são eles: Artesãos (SP)Guardiões (SJ)Racionais (NT)Idealistas (NF).

O Intelecto Estratégico

A estratégia tem a ver com a identificação dos meios necessários e suficientes para atingir um objetivo bem definido. Mas não é qualquer objetivo que é de interesse para os Racionais. Invariavelmente, o objetivo que os Racionais estabelecem para si mesmos será o de aumentar a eficiência dos sistemas.

Alguns deles se preocupam principalmente com sistemas sociais, como famílias e empresas, enquanto outros estão preocupados com os sistemas orgânicos, como plantas e animais, e ainda outros com sistemas mecânicos, como computadores, aeronaves e automóveis.

Mas não importa o sistema que eles escolham, os NTs querem aperfeiçoar o funcionamento e aumentar a eficiência deles. Outros tipos de objetivos são consideravelmente menos interessantes e, assim, lhes é dedicado pouco esforço. A maneira como os Racionais alcançam seu objetivo de maximizar a eficiência nos sistemas é os analisando em busca de ineficiência, que é, digamos, buscar erros na ordem ou na organização dos sistemas.

Na verdade, talvez a coisa mais importante para entender sobre o intelecto estratégico é que ele é ativado pelos erros encontrados em sistemas complexos. Em outras
palavras, eles estão sempre atentos à problemas sistêmicos e estão sempre inclinados à resolvê-los.

Eles são os solucionadores de problemas. O conceito de sistemas foi entendido e usado apenas por um punhado de cientistas comportamentais e físicos durante a primeira metade do século XX. Então, em meados do século, Norbert Wiener escreveu seu trabalho seminal sobre o que os Racionais, chamado “Cibernética”, termo que vem da união de rede (Netics) e governança (Cyber), isto é, controle sobre a rede.

Ele cunhou seu conceito de cibernética de forma inteligível para àqueles que não estavam familiarizados com a teoria dos sistemas, emprestando o termo “feedback” da tecnologia do rádio e usou-o como uma metáfora para processos circulares em sistemas.

Magorah Maruyama mais tarde diria que o feedback nos sistemas é uma questão de “processos mutuamente causais”, distinguindo assim drasticamente a causalidade linear, da circular. Causalidade, no visão dos teóricos dos sistemas, é sempre relativa às condições do evento, como sendo “condições necessárias e suficientes para a ocorrência de um evento”.

Racionais, nunca tendo muito uso para a noção de linear causalidade, preferem abraçar a causalidade circular com entusiasmo, agora podiam assumir o controle na construção e reconstrução de sistemas complexos com vigor renovado.

Ordem e Organização

A unidade em sistemas é uma questão bilateral. Por um lado, existe a ordem, enquanto, por outro lado, existe a organização.

Ordem e organização são diferentes entre si: a ordem está preocupada com o que, segue o que. Já a organização com o que é simultâneo à o que.

Os Racionais que se interessaram principalmente na “ordem”, os chamo de “Coordenadores”, já os que estão principalmente interessados ​​em “organização”, os chamo de “Engenheiros”.

Antes de consideramos o que os Coordenadores e Engenheiros fazem, permitam-nos estudar por um momento a distinção entre seus diferentes objetivos.

Enquanto um foca na desordem nos sistemas, o outro se preocupa na desorganização nos sistemas.

A ordem tem duas formas, uma que tem a ver com “acima” e “abaixo”, e a outra que foca no que vem antes, e no que vem depois.

Algumas coisas são de ordem mais altas que outras. Por exemplo, um coronel no exército tem uma classificação mais elevada do que major, um major maior que a de um capitão, um capitão é superior a um tenente, e assim por diante…

As classificações mais baixas são ditas subordinados às posições mais altas, sendo que são de ordem inferior. Este tipo de ordem é hierárquica, e é geralmente referida como “ordem de classificação”.

O outro tipo de ordem pode ser chamado de “ordem serial”. Por exemplo,
certos procedimentos técnicos exigem uma série de ações que devem seguir uma ordem muito específica. Pegue o disparo de um único revolver de ação. Primeiro, carregue,
em seguida, puxe o martelo, depois puxe o gatilho. Caso a ordem seja invertida, não funciona.

Claro que o tipo de passos em série que interessa os Racionais são um pouco mais complexos do que disparar uma arma. Os preparativos para a invasão da Europa na segunda guerra mundial é um exemplo de extrema complexidade que envolve centenas de planejadores ao longo de um período de anos, qualquer erro no sequenciamento das operações está repleto de perigos e podem levar ao desastre.

A organização, por outro lado, tem a que ver com a concepção (e revisão) ou configuração (e reconfiguração) de sistemas complexos que são compostos por partes, não por fases ou por etapas.

Onde as fileiras ou degraus de um sistema ordinal  são separadas uma da outra, as partes de um sistema organizacional estão conectadas organicamente umas nas outras, de modo que o que acontece em qualquer lugar do sistema reverbera em todo o sistema. Assim, organizações, seja qual for o tipo, são ditas integradas, cada parte depende de cada outra parte desse sistema.

Sendo assim, os Coordenadores fazem o trabalho que pode ser chamado de “arranjar”.

Organizar é o ato de determinar os vários níveis de classificação (em outras
palavras, hierarquia, camadas, escalões) ou as etapas consecutivas (seqüência,
série, sucessão) que são necessárias para alcançar objetivos de longo alcance.

O arranjo hierárquico possibilita a mobilização de forças de campo na condução
campanhas. O arranjo em série, ao contrário, possibilita a criação de contingências num plano de ação.

Por sua vez, os Engenheiros fazem o trabalho de construção. Construir é
o ato de determinar quais peças de um sistema devem compor seu mecanismo ou quais partes de um sistema são necessárias para que ele funcione (configuração).

A construção mecânica envolve a construção de protótipos funcionais, enquanto a construção configurável envolve a elaboração de informações detalhadas, planos bidimensionais e modelos tridimensionais.

Ambos os tipos de construção são realizados para determinar quais estruturas são necessárias e suficiente para o sistema fazer o seu trabalho de forma mais eficiente.

Em suma:

A organização funciona para reduzir a desordem nos sistemas, a qual é feita de duas formas: a mobilização das forças de campanha e a implantação de planos de contingência.

A construção, em contraste, trabalha para reduzir a desorganização em sistemas, sendo as duas formas: a elaboração de protótipos e a concepção de modelos.

Interesse, Prática, Habilidade

Nenhuma prática, nenhuma habilidade – Muita prática, muita habilidade.

A célula neural não é diferente da célula muscular neste quesito. Use-a ou a perderá, essa é a lei inviolável da natureza. Além disso, há uma relação de feedback entre interesse e habilidade. Nós melhoramos ao fazer coisas nas quais estamos interessados ​​em fazer e temos maior interesse nas coisas que fazemos bem.

O interesse reforça a habilidade, a habilidade reforça o interesse. Assim, o interesse vitalício dos Racionais na ação estratégica alimenta seu exercício diário de habilidades estratégicas, e, sendo assim, sua habilidade aumenta, e por conta disso, aumenta também seu interesse, numa retro-alimentação, que promove a evolução contínua.

No gráfico a seguir, podemos ver que os Racionais são mais aptos na inteligência estratégica que na diplomática, e dão menos valor à tática e à logística.

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Observe no gráfico acima, que a inteligência logística no caso do perfil NT está muito aquém da estratégica. Observe também que as habilidades diplomáticas e táticas ficam atrás das habilidades estratégicas, mas superam as habilidades logísticas, devido a quantidade de prática que geralmente é dada.

Vemos também que, embora os NTs e os SJs sejam opostos na forma como eles tendem a usar palavras e ferramentas, é provável que sejam similares no nível de desenvolvimento de suas habilidades diplomáticas e táticas.

Como, tanto Racionais como Idealistas, são abstratos no uso de palavras e são capazes de uma notável introspecção, por isso não é difícil para eles se identificarem uns com os outros e conversarem sobre diplomacia.

Quanto às táticas, os Racionais compartilham com os Artesãos uma maneira utilitarista de selecionar e usar ferramentas, para que, com muita prática, possam utilizá-las quando necessário.

Por outro lado, os Guardiões compartilham a implementação cooperativa com Idealistas e comunicação concreta  com Artesãos, e nenhuma área comum com os Racionais.

Variantes no papel estratégico

Os Racionais têm a inteligência estratégica em comum, mas diferem fortemente entre eles nos tipos de operações estratégicas que eles escolhem praticar. Os dois lados da estratégia explicados acima marcam a primeira divisão, com um lado tendo a ver com a ordem em que as coisas devem ser feitas, isto é, coordenando as operações, e o outro lado tem que ver com a organização de coisas ou operações de engenharia.

Assim, os Racionais naturalmente se dedicam mais aos papéis de Coordenador ou Engenheiro, fazendo com que se dividam em quatro variantes de função estratégica, que eu chamo de:

  •  O Marechal de Campo (ENTJ)
  • O “Mastermind” (INTJ)
  • O Inventor (ENTP)
  • O Arquiteto (INTP)

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Coordenadores Estratégicos

Esses Racionalistas que são rápidos em avaliar e planejar (J), tendem a seguir o papel de Coordenador. Os Coordenadores determinam quem deve fazer o que, num determinado momento e lugar, e esse papel requer um caráter diretivo.

Os Coordenadores aumentam constantemente em diretividade à medida que amadurecem, de modo que eles com facilidade e confortavelmente comandam outros e esperam ser obedecidos.

Na verdade, os coordenadores ficam surpresos com qualquer resistência às suas diretrizes, porque é tão claro para eles que outros não sabem o que fazer, presumivelmente porque seu objetivo não está claro ou ausente, e porque eles aparentemente não têm nenhuma estratégia em mente de como prosseguir.

Assim, na visão do Coordenador, é que a maioria das pessoas está operando cegamente e dando volta em círculos, e claramente necessitam de direção.

Os Marechais de campo (ENTJs) organizam uma hierarquia bem ordenada que possibilita a cadeia de comando e a mobilização das forças. Em suas campanhas esses Coordenadores expressivos e enérgicos controlam quaisquer recursos humanos e materiais disponíveis, e os usa para executar uma estratégia complexa, como foi feito por Napoleão,  ou por Eisenhower, quando encabeçou a invasão da Normandia e a conquista da Alemanha.

Apresso-me a acrescentar que, embora as campanhas militares sejam as mais divulgadas, elas não são, de modo algum, as formas mais comuns de operação estratégica. Qualquer tipo de empresa, seja comercial, educacional, política ou militar, pode ser organizada hierarquicamente, e de fato precisa ser, caso haja um objetivo à ser alcançado.

Os Masterminds (INTJs) organizam as coisas de forma coerente e as ordenam de forma abrangente, isto é, eles coordenam as operações fazendo agendamentos eficientes,
com cada item levando ao próximo, levando em conta as conseqüências dessa organização.

Além disso, os Masterminds fazem planos de contingência para manter seus cronogramas no caminho certo. Se o plano A estiver em perigo ou for abortado, mude para o plano B, se isso não funcionar, então ponha em prática o plano C.

Muitas vezes trabalhando nos bastidores, estes silenciosos e reservados Coordenadores  são capazes de antecipar quase tudo o que pode vir a dar errado e gerar alternativas que possam evitar os destinos indesejados. E assim, o Mastermind acaba com um preciso diagrama de fluxo de formas alternativas para alcançar objetivos claramente definidos.

Engenheiros Estratégicos

Os Engenheiros estruturam a forma e a função dos instrumentos a serem empregados na busca de objetivos. Esse é o domínio desses Racionais detalhistas, aqueles que preferem manter suas opções abertas (P) e seguir as ideias onde quer que elas os levem.

Concentrados na determinação dos meios e nas formas de operação, os Engenheiros tendem a ter informações, mais do que um papel diretivo, o que significa que eles geralmente estão ansiosos para fornecer informações e relatórios sobre o que eles estão atualmente construindo/produzindo, mas não são ansioso para dizer aos outros o que fazer.

Os Inventores (ENTPs) desenvolvem sua habilidade em conceber protótipos mais do que sua habilidade na concepção de modelos. Para eles, a funcionalidade é o
objetivo, como no caso de Nikola Tesla, o talentoso inventor do motor elétrico de fase dividida, bobina gigante, corrente alternada, rádio, gás inerte, lâmpada e inúmeros outros dispositivos engenhosos.

Já os Arquitetos (INTPs), fazem planos estruturais, modelos, projetos. Esses reservados
Engenheiros, muitas vezes estarão trabalhando sozinho em suas mesas, mesas de desenho e computadores. A coerência de seus projetos é o que conta, a elegância de sua configuração.

Howard Hughes, por exemplo, projetou maravilhosamente um
versátil avião no final dos anos trinta. Ele ofereceu seu design para o
Estados Unidos, e então para a Grã-Bretanha, e para outras nações europeias, e todas o recusaram.

Mas o Japão comprou os planos, e quando o avião chegou ser construído e usado no front do Pacífico, acabou sendo o maravilhoso Zero, para o qual os combatentes aliados, com seus, Curtiss P40, Brewster Buffalo e Grumman Wildcat, não tinham a menor chance contra.

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Quer saber mais sobre os Temperamentos? Sim! Claro que quero…

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