INFJ – Dinâmica das Funções

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Esse é mais um post traduzido e adaptado na íntegra, então se quiserem ver o original que merece todos os créditos esses são os links abaixo:

  1. Simulatedworld’s Profiles for Extroverted Types
  2. Simulatedworld’s Profiles for Introverted Types

 Não sabe o que é MBTI? GUIA DE ESTUDOS

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INFJ: uma análise das funções cognitivas junguianas

INFJ, ou Introvertido Intuitivo de Sentimento e Julgamento, é um rótulo emprestado da nomenclatura MBTI e agora aplicado ao conjunto de Funções Cognitivas Junguianas (Ni, Fe, Ti, Se).

Dominante: Intuição Introvertida (Ni)

“Eu apenas gosto de colocar todos os pequenos sonhos da vida em perspectiva. O mundo real está dentro da minha mente. A imaginação é o caminho para o mundo – se você pode imaginar algo, então isso existe. A dificuldade está em comprometer este mundo o suficiente para se dar bem com o outro.

Quero dizer, se você pensar sobre isso, eu não tenho provas de que você ou qualquer outra pessoa realmente exista. Alguma coisa é, de fato, “real”, no sentido absoluto? Ou, o que quer que seja que definamos como “verdade”, é apenas outra estrutura de referência, com valor objetivo algum, como qualquer outra coisa? Eu tento não levar a sério nenhuma definição de realidade, porque assim eu perco a habilidade de dar igual consideração às outras.”

Com percepção introvertida, INFJ’s estão constantemente ocupados com seu próprio mundo interior de associação subjetiva de sinais e símbolos com significado pessoais. Ambas as funções Pi (Ni e Si) estão preocupadas em gerar impressões internalizadas de experiências passadas – por esse lado são bem parecidos. Mas enquanto Si depende de informações sensoriais concretas e específicas para construir  seu mapa conceitual de significados, Ni, por outro lado, depende mais de estruturas mais soltas e vagamente definidas das relações intangíveis e abstratas entre ideias.

Podem não construir um mapa tão cuidadoso e completo quanto um tipo Si que teve a experiência direta de toda a informação em determinada área, mas pode usar os esboços teóricos de suas próprias experiências para “preencher as lacunas”  e predizer como experiências relacionadas que não aconteceram de fato serão com base na impressão pessoal que eles criaram.

Frequentemente, a forma como uma informação particular soa para os Ni’s é tão dependente das suposições inerentes de sua própria forma de ver o mundo que é difícil que seus significados façam sentido para qualquer outra pessoa. Colocar em palavras arruína a questão porque palavras são ainda um meio limitado que carrega muitas suposições para esculpir totalmente um vocabulário que seja efetivo para as impressões teóricas nas quais um Ni é especialista.

Com a função de percepção introvertida, um Ni dominante não faz nenhum julgamento de valor. É apenas sobre tomar impressões – tantas diferentes interpretações do significado de uma ideia ou evento quanto forem possíveis. Isso pode soar familiar ao Ne superficialmente, mas não é – Ne está pegando vários eventos e ideias diferentes e buscando por pontos em comum entre eles; Ni está pegando uma ideia ou evento por vez e examinando (“a partir de uma olhar puro”, como diz Yukawa) cada ângulo de cada componente para encontrar possíveis interpretações novas que podem nos fazer enxergar toda a questão sob uma nova luz.

Enquanto o Ne “explode” para milhões de outros lugares a partir de um ponto de partida, o Ni se sente mais confortável “implodindo” em uma abrangente interpretação que combina vários elementos diferentes para um todo mais coeso. Frequentemente isso resulta na interessante habilidade em combinar várias opções aparentemente desiguais na melhor e mais efetiva opção para a visão singular que a função julgamento dos INFJ’s decidiu ser o melhor.

Frequentemente, essa habilidade faz com que os outros enxerguem os INFJ’s como possuidores de algum tipo de visão mística, quase sobrenatural; claro que não há nada sobrenatural nisso – Ni’s simplesmente percebem as ideias gerais a respeito das suas impressões teóricas, e a partir daí não é difícil imaginar como elas podem ser desconstruídas ou rearranjadas para propósitos diferentes. Ni dominantes estão frequentemente surpresos e um pouco perplexos que os outros não enxerguem naturalmente o significado oculto que caracteriza toda sua experiência pessoal.

Ni não gosta de forçar racionalizações em suas impressões abstratas porque essa estrutura opera sob um certo conjunto de suposições que pode, prematuramente (e sem nem mesmo perceber), eliminar exatamente o tipo de informação na qual um Ni está interessado: usar experiências passadas com teorias/conceitos relacionados a elas para eliminar as barreiras no seu entendimento holístico dos símbolos e do significado que eles tem.

Frequentemente INFJ’s sentem que os outros operam sob muitas pressuposições a respeito dos significados para que possam compreender a esotérica imaginação interna na qual eles vivem. Comumente isso resulta em sentimentos de isolamento: o INFJ’s se veem como muito incomuns em sua visão a respeito da natureza da realidade para caber na estrutura na qual a maioria das pessoas que o cercam se definem.

Auxiliar: Sentimento Extrovertido (Fe)

“A cultura de uma nação reside no coração e alma de seu povo.”

Mohandas Gandhi

Como pode então um INFJ mostrar sua visão para as pessoas ao seu redor de forma significativa e atingir a aceitação social e a compreensão que ele deseja? A resposta está no Sentimento Extrovertido (Fe).

Fe nos encoraja a derivar nossos ideais morais e éticos dos grupos de pessoas que consideramos importantes, ou ao menos definir moralidade de uma forma que possa ser amplamente compreendida e aplicada por grandes grupos de pessoas. O objetivo é relativamente simples e utilitário: definir nossas relações uns com os outros baseado em orientações morais comuns através das quais concordamos em basear nossas vidas, para o bem comum de todos os envolvidos.

“Eu simpatizo com o lugar de onde você vem – permita-me enfatizar um tipo de elo cultural ou conexão familiar que nos envolve de forma objetiva e visível e que sugere que temos alguma responsabilidade uns com os outros. Apenas através do comprometimento responsável com essas relações objetivas é que podemos formar uma hierarquia social através da qual podemos decidir – juntos através da experiência coletiva – o que constitui o comportamento ético e moral dentro dos vínculos compartilhados na nossa vida juntos. Moralidade é apenas importante demais para ser decidida por qualquer indivíduo sem uma contribuição do consenso das pessoas as quais ele confia, ama e respeita.”

Fe é, de certa forma, inerentemente tribal. Enquanto promove um pouco da mentalidade  “nós vs. Eles” agrupando pessoas que se sentem da mesma forma, “nós” que somos contra “eles” que são diferentes, tipos Fe não enxergam isso como um exercício de exclusão ou repressão dos que são diferentes. Eles apenas consideram a moralidade um ideal que é muito importante para ser confiado ao bel-prazer de únicos indivíduos: eles reconhecem que para que a sociedade exista de forma produtiva como uma unidade coletiva, certas normas interpessoais e sociais de conduta e ética devem ser ajustadas e preservadas para maximizar a utilidade dos valores morais, sendo designadas de forma que apelem a mais larga base de diferentes pessoas possível.

De uma forma mais prática, Fe proporciona aos INFJ’s não apenas um vocabulário para definir e estruturar suas obrigações familiares, sociais e culturais com os outros, mas também um senso claro de direção e um objetivo tangível para direcionar suas grandes visões. INFJs com Fe forte frequentemente dão palestrantes tremendamente carismáticos – eles estão em contato com as necessidades e sentimentos coletivos em sua comunidade, e eles compreendem a estrutura óbvia da competição dos sistemas de valores em profundidade o suficiente para expressar a voz ética coletiva de “seu povo”  de forma que mesmo seus inimigos acharão agradável – ou ao menos difícil de argumentar.

Não possuindo Fe forte, INFJs podem se encontrar cada vez mais isolados e sentindo-se amargos e ressentidos em relação ao mundo exterior devido a inabilidade desse mundo em compreender e apreciar seus talentos.

Eles também irão, provavelmente, estar dolorosamente conscientes de suas próprias falhas e deficiências, incluindo sua inabilidade em comunicar efetivamente suas ideias para os outros de qualquer maneira que possa facilitar o entendimento mútuo e aprovação que desejam. Podem inclusive sentir-se sem direção e sem propósito, cheios de grandes visões para objetivos valorosos mas absolutamente inábeis para convencer qualquer um de seus méritos.

Terciário: Pensamento Introvertido (Ti)      

A desvantagem de Fe, logicamente, é que ele depende exclusivamente do julgamento dos outros sobre seu esforço em curso para ser julgado como moralmente exemplar nos melhores valores que sua comunidade (amigos, família, colegas de trabalho, ou qualquer grupo ao qual INFJs se sintam emocionalmente conectados e responsáveis) mantém como importantes. Alguém pode se perguntar, então, de onde se originam o senso de princípios pessoais dos INFJs, se Ni simplesmente percebe quantas possibilidades teóricas forem possíveis, enquanto Fe obtém seus princípios avaliativos a partir da moral de seu ambiente externo.

Entramos em terciário Ti: Quando tudo falha e nenhuma conclusão significativa pôde ser obtida a partir da abordagem Ni-Fe, o INFJ irá se voltar ao seu interior e ouvir o que quer que sua consciência lhe diga ser naturalmente coerente, justo e razoável. O valor na abordagem Ti é que fornece uma conclusão definitiva e completa para o INFJ no meio de um conflito a respeito de a qual conjunto de valores morais externos deveria ser atribuída maior prioridade. Retorna aos axiomas básicos do que sabemos com certeza: “Eu penso, logo existo.”

Quando valores morais vindos do exterior tornam-se muito complicados ou muito comprometidos para ser confiáveis em uma decisão pessoal, Ti entra para fornecer uma estrutura lógica personalizada que pode ser universalmente aplicada independentemente do contexto.

Isso nos dá algo que podemos saber com certeza porque parece naturalmente correto e consistente por si só, e isso pode ser um grande alívio em tempos de conflito interior. Quando um INFJ fica sobrecarregado com muitas possibilidades de interpretações de um problema, e não consegue encontrar nenhum guia objetivo, ele se volta ao Ti para decidir o que é, no fim das contas, razoável e importante para ele.

A partir disso ele pode derivar convicções pessoais e fazer seus próprios julgamentos de valor sem sentir que está negligenciando as opiniões vitais de sua comunidade ou se trancando em uma interpretação limitada.

Ti pode ter um impacto negativo quando pobremente desenvolvido ou quando bloqueia Fe a um grau não saudável – o ciclo NiTi é brutalmente antissocial e não tem a menor ideia sobre como se relacionar com o restante da humanidade. Um amigo INFJ descreve Ni como “um buraco muito profundo no qual é muito fácil se perder e nunca mais voltar.”

O ciclo NiTi pode ter implicações ainda piores: Se Fe é fraco e mal desenvolvido o suficiente, o INFJ pode mostrar tão poucos sinais externos de emoção que pode ser visto como insensível, desinteressado, antipático, egoísta e pretensioso. Ti sugere uma estrutura lógica para lidar com um problema, mas não tem fonte de informações objetivas para impedir Ni de observar todas as pressuposições inerentes a abordagem Ti, dando um curto circuito na confiança do INFJ sobre todo o seu processo cognitivo.

No fim, Ti serve como um necessário e útil assistente para Fe no processo de julgamento, mas não irá funcionar por conta própria como um substituto adequado para um objetivo e externalizado julgamento de sentimento.

Inferior: Sensação Extrovertida (Se)

Para o INFJ, Se inferior tem um processo lento de construção ao longo do tempo, como uma vela queimando aos poucos em uma vara de dinamite. O primeiro exemplo no qual eu penso para Se inferior é o vocalista do Black Flag, Henry Rollings (obviamente um INFJ) batendo em crianças que cuspiram nele no palco, nos bastidores após os shows.

Outro exemplo pode ser Tom Yorke, vocalista do Radiohead, com sua cômica explicação sobre como lida com a culpa e pressão da fama: “Eu me masturbo muito. É assim que eu lido com isso.”

Um amigo INFJ explica Se inferior desta maneira: “Cara, quando eu era criança, eu sempre odiei e ressenti atletas por sua visão superficial … mas uma parte de mim ainda pensa: “Mas cara, eles não são FODAS?”  Esse mesmo amigo, eu percebi, aprendeu da maneira mais difícil a se retirar forçosamente de conflitos antes de ficar realmente aborrecido – porque ele sabe como pode ficar agressivo e insensível se levado ao seu limite.

Se representa a crua, animal, agressiva, e espontânea fome pela realidade da pura e literal matéria sensorial, a qual Ni dominante toma tanto cuidado em trancar e esconder o máximo que conseguem. Como terciário para ENJs, Se é muito mais útil pois está sob seu controle o suficiente para que possam usá-lo para mostrar aos outros que se importam com aparências e tendências.(para os objetivos de negócios dos orientados por Te ou Fe) e, se necessário, sutilmente insinuar ameaças de força bruta se o adversário não puder se disciplinar para respeitar as solicitações cordiais de respeito do ENJ.

Mas como função inferior, poucos INJs aprendem a comandar Se a um nível em que se torne uma parte substancial da sua cognição saudável e regular. Seu foco literal é precisamente o que representa uma ameaça óbvia, direta e imediata ao desejo geral Ni de enxergar “além da superfície” da questão apresentada a ele.

Se valoriza precisamente o impacto imediato e profundo que muitos INJs passam toda a vida trabalhando duro para eliminar neles mesmos, insistindo que essa visão superficial esteja sob a sofisticação de seu trabalho constante para ver as interpretações ocultas e menos óbvias onde Ni sente-se em casa. Mas Se ainda está lá … espreitando sob a superfície, esperando para ferver.

Você não vai querer estar perto de um INFJ quando isso acontecer. Idealmente, Se inferior deveria eventualmente ajudar o INFJ a parar de procurar um significado mais profundo em lugares onde ele é inútil e sem propósito, para apreciar o valor mais imediato do que é tangível e real para os outros (mesmo que ele mesmo possa vê-lo como tão insubstancial e frívolo), e para manter um grau de espontaneidade em termos de capacidade de prestar atenção e imitar o que os outros ao seu redor vêem como comum e digno de atenção.

Em última análise, Ni pode aprender a interpretar os sinais inconscientes de Se como “apenas outra perspectiva” e atribuir-lhes o mesmo nível de valor que qualquer outro quadro de referência possível. Aproveitar Se para uso positivo requer um tremendo equilíbrio pessoal e força de vontade, para que não saia de mão e consuma o INFJ em um ataque incontrolável de hedonismo ou raiva. Eventualmente, Se deve apoiar Ni, adicionando dados físicos reais e “sentimentos instintivos” instantâneos às “intuições” intuitivas a partir das quais Ni opera.

É vital para o INFJ reconhecer que o valor  desta informação sensorial imediata pode realmente reforçar o poder de suas intuições – se ele for capaz de interpretá-lo em contexto, em vez de permitir que ele consuma toda a sua experiência e bloqueie toda a informação menos óbvia e nas entrelinhas com as quais ele está mais acostumado. Às vezes, essa é a única maneira pela qual o INFJ pode fazer com que qualquer pessoa preste atenção suficiente ao que ele está dizendo para fazer qualquer impacto ou diferença real no mundo – e isso é algo que a maioria dos INFJs luta suas vidas inteiras para sentir que estão fazendo.

 

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