Qual seu tipo de apego e quão grande ele é?

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Origem

Esse post visa retratar a teoria do apego de John Bowlby, onde a forma com que a criança recebeu amor, afeto e teve suas necessidades atendidas nos primeiros anos de vida e também nosso mecanismo biológico, afetam a forma com que lida com todas as relações ao longo da vida, amorosas ou não, mas principalmente relações românticas.

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Nos tempos pré-históricos, as pessoas que dependiam apenas de si mesmas e não tinham ninguém para protegê-las eram mais propensas a acabar como presas. Na maioria das vezes, aqueles que estavam com alguém que se preocupava profundamente com eles sobreviveram para transmitir aos seus filhos a preferência de formar laços íntimos. De fato, a necessidade de estar perto de alguém especial é tão importante que o cérebro tem um mecanismo biológico especificamente responsável por criar e regular nossa conexão com nossas figuras de apego (pais, filhos e parceiros românticos).

Este mecanismo, chamado de sistema de apego, consiste em emoções e comportamentos que garantem que permaneçamos seguros e protegidos por ficarmos perto de nossos entes queridos.

O mecanismo explica por que uma criança separada de sua mãe torna-se frenética, busca ela descontroladamente, ou chora descontroladamente até que ele ou ela restabelece contato com ela.

Essas reações tem um termo específico: comportamento de protesto, e todos nós ainda o exibimos mesmo como adultos. Nos tempos pré-históricos, estar perto de um parceiro era uma questão de vida e morte, e nosso sistema de apego se desenvolveu para tratar tal proximidade como uma necessidade absoluta.

Todos nós possuímos esse sistema de apego decorrente de nossa evolução e genética, e ele é moldado pelas experiência de vida, principalmente as primeiras experiências com nossos cuidadores principais em nossos primeiros anos de vida. E devido à combinação desses fatores, é desenvolvido em cada pessoa, um dos tipos de apego.

Ia escrever a descrição dos tipos de apego, mas encontrei duas descrições que explicam muito bem e não conseguiria fazer melhor, então vou apenas sintetizar e traduzir as duas do inglês e colocar as referências no final do post. E vou colocar também trechos do livro que trata do assunto mais profundamente e complementar com minhas considerações. A referência dele também está no fim do post.

Os 4 tipos de apego:

Ansioso

Tipos de apego ansiosos são muitas vezes nervosos e estressados sobre seus relacionamentos.

Eles precisam de demonstrações de confiança frequentes e afeição constante de seu parceiro.

Eles têm problemas em ficarem sozinhos ou solteiros. Eles muitas vezes sucumbem a relacionamentos tóxicos ou abusivos. Eles têm problemas em confiar nas pessoas, mesmo que estejam próximas delas. Seu comportamento pode ser irracional, esporádico e excessivamente emocional e queixar-se de que todos do sexo oposto são frios e sem coração.

Esta é a menina que te chama 36 vezes em uma noite perguntando por que você não a chamou de volta. Ou o cara que segue sua namorada no trabalho para ter certeza de que ela não está flertando com outros homens.

As mulheres são mais propensas a serem do tipo ansioso do que os homens. As estratégias ansiosas de apego são desenvolvidas na infância por bebês que recebem amor e cuidado com suficiência imprevisível. Ao contrário de casais seguramente unidos, as pessoas com um apego ansioso tendem a ser desesperadas para formar um vínculo, nem que seja de fantasia. Em vez de sentir o amor ou a confiança real para seu parceiro, sentem-se frequentemente a forte falta emocional.

Elas estão frequentemente contando com seus parceiros para salvá-los ou completá-los. Embora procurem uma sensação de segurança ao se apegarem ao parceiro, eles tomam ações que afastam o parceiro. Mesmo que os indivíduos com apego ansioso demonstrem-se desesperados ou inseguros, mais frequentemente do que não, seu comportamento potencializa seus próprios medos. Quando sentem-se inseguros dos sentimentos do parceiro ou inseguros em seu relacionamento, muitas vezes se tornam pegajosos, exigentes ou possessivos em relação ao seu parceiro.

Eles também podem interpretar ações neutras de seu parceiro como afirmação de seus medos. Por exemplo, se seu parceiro começa a socializar mais com os amigos, eles podem pensar: “Veem? Ele realmente não me ama. Isso significa que ele vai me deixar. Eu estava certo em não confiar nele.”

Isso porque o distanciamento com a pessoa da qual está ligada emocionalmente causa muita insegurança e ansiedade. Qualquer ameaça real ou não à quebra dessa conexão é reagida com intensa vontade de re-conexão que pode ser desde formas saudáveis como enviar uma mensagem, telefonema, um abraço, um sorriso, querer passar tempo juntos, quanto formas mais desequilibradas chamadas de comportamentos de protesto.

Exemplos de comportamentos de protesto:

• Tentativas excessivas de restabelecer contato: Ligar, enviar mensagens de texto ou enviar por e-mail muitas vezes, esperar ansiosamente por um telefonema, vagar pelo local de trabalho de seu parceiro na esperança de encontrar-se com ele.

• Fechar-se: Aquele silêncio que está claro que está algo errado, literalmente virando as costas para o seu parceiro, sem falar, conversando com outras pessoas ao telefone e ignorando-o. E quando questionado se há algo de errado, a resposta é sempre: Não, está tudo bem…

• Marcando a “pontuação”: Prestando atenção ao tempo que o parceiro demorou para retornar o seu telefonema e esperar mais que esse tempo para retornar o deles; Esperar que eles façam o primeiro movimento em fazer as pazes.

• Agindo hostilmente: Rolando os olhos quando falam, desviando o olhar, levantando-se e saindo da sala enquanto eles estão falando (agir de forma hostil podendo partir para a violência absoluta às vezes).

• Ameaçando deixar o relacionamento: Fazendo ameaças – “Nós não estamos nos entendendo, eu não acho que não devemos mais ficar juntos”, “Eu sabia que não éramos certo um para o outro”, “Eu estarei melhor sem você “- todo o tempo esperando que ele / ela o impeça de partir.

• Manipulações: Fingindo-se de ocupado ou tornando-se inacessível. Ignorar chamadas telefônicas, dizendo que você tem planos quando na verdade, não tem.

• Fazê-lo sentir ciúmes: Fazer planos para se reunir com um ex para o almoço, sair com os amigos para um bar de solteiros, dizendo ao seu parceiro sobre alguém que paquerou você hoje.

Perceba que todas as tentativas, saudáveis ou não, são formas de conseguir novamente ser reassegurado que a conexão emocional ainda está lá, tentar chamar atenção do parceiro distante, ter seu sistema de apego apaziguado para que volte novamente ao seu estado normal e equilibrado.

Pessoas com esse tipo de apego são muito descriminadas e criticadas, sendo tachadas de carentes, quando se trata apenas do mecanismo bioquímico daquela pessoa e como ela lida com a intimidade, o apego com o parceiro e o quanto precisa compartilhar de tempo, presença e atenção para sentir-se segura e próxima dessa pessoa.

Não há nada de errado com o tipo Ansioso em si, muitas pessoas do tipo Ansioso podem ser ótimas parceiras e serem tão equilibradas quando qualquer outro tipo, porém quando esse tipo de apego é potencializado por baixa autoestima, traumas de infância onde não teve suas necessidades básicas e de afeto atendidas, ou simplesmente por ter tido muitas experiências ruins em relacionamentos passados, podem torna-se aqueles casos conhecidos de ciúmes doentio, intenso drama e surtos emocionais, causando sérios danos à si mesmas, ao parceiro, e danificando muito a relação a ponto de ficar insuportável.

Evitador (Evasivo)

Tipos de apego evasivo são extremamente independentes, auto-dirigidos e muitas vezes desconfortáveis ​​com a intimidade. Eles são “relacionamento-fóbicos” e especialistas em racionalizar sua saída de qualquer situação íntima. Eles regularmente se queixam de sentir-se “cobrados” ou “sufocados” quando as pessoas tentam se aproximar deles. Em cada relacionamento, eles sempre têm uma estratégia de saída. Sempre.

Muitas vezes constroem seu estilo de vida de tal forma a evitar o compromisso ou muito contato íntimo. Este é o cara que trabalha 80 horas por semana e fica aborrecido quando as mulheres que ele namora ou sai querem vê-lo mais de uma vez no fim de semana. Ou a menina que sai dezenas de caras ao longo dos anos, mas diz-lhes que ela não quer “nada de sério” e inevitavelmente terminam chutando-os quando ela se cansa deles.

Os homens são mais propensos do que as mulheres a serem tipos evasivos. A estratégia de apego evasivo é desenvolvida na infância por bebês que só recebem algumas das suas necessidades atendidas enquanto o resto é negligenciado (por exemplo, ele/ela recebe alimentação regularmente, mas não afeto o suficiente).

As pessoas com um apego evasivo tendem a se afastar emocionalmente de seu parceiro. Eles podem buscar o isolamento e sentir-se “pseudo-independentes”. Elas muitas vezes aparentam por fora focadas em si mesmas e podem focar excessivamente em atender aos seus desejos mais instintivos.

Essa pseudo-independência é uma ilusão, como todo ser humano, ela também precisa de conexão.

No entanto, as pessoas com um apego evasivo tendem a levar uma vida mais interior, negando a importância dos entes queridos e desapegando-se facilmente deles. Elas muitas vezes possuem barreiras psicológicas de proteção e têm a capacidade de desligar-se emocionalmente. Mesmo em situações acaloradas ou emocionais, elas são capazes de desligar seus sentimentos e não reagir. Por exemplo, se seu parceiro está angustiado e ameaça deixá-los, elas responderiam dizendo: “Eu não me importo”.

Segue alguns trechos do livro Attached de Amir Levine:

É acreditado que cada estilo de apego evoluiu a fim aumentar as possibilidades da sobrevivência dos seres humanos em um ambiente particular. O estilo de apego seguro funcionou melhor, porque ao longo da história nossos antepassados ​​viveram predominantemente em grupos próximos, onde trabalhar juntos era de longe a melhor maneira de garantir seu futuro e o de sua prole.

Para garantir a sobrevivência das espécies sob qualquer condição que possa surgir, no entanto, mais de uma estratégia foi necessária. Para aqueles nascidos em condições hostis, em que um grande número morreu de fome, doença ou desastres naturais, outras habilidades além das colaborativos tornaram-se mais importantes.

Aqueles indivíduos que foram capazes de se separar e serem auto-suficientes foram mais bem sucedidos em competir por recursos limitados nesses ambientes extremos, e assim, um segmento da população inclinou-se para um estilo de apego evasivo. Infelizmente, a vantagem de sobrevivência para a raça humana não se traduz necessariamente em uma vantagem para o indivíduo Evitador.

O tipo Evitador se vale de uma série de racionalizações, regras, valores e crenças distorcidas para manter sempre seu parceiro á uma distância emocional “segura” dela, evitando o aumento da intimidade. Esses comportamentos são chamados de Estratégias de Desativação.

Exemplos de Estratégias de Desativação:

• Dizer (ou pensar) “Eu não estou pronto para compromisso” – mas ficar em um relacionamento no entanto, às vezes por anos.

• Concentrar-se em pequenas imperfeições em seu parceiro: a maneira como ele/ela fala, se veste, come, ou (preencher o espaço em branco) e permitindo que ele atrapalhe seus sentimentos românticos.

• Constantemente criticar, caçoar, ridicularizar, diminuir as qualidades e acentuar os defeitos do parceiro, inclusive em público. Deixando claro que é superior à ele, e por isso um dia poderá ir embora porque merece algo melhor. E criando um abismo emocional por estar protegendo sua própria insegurança criando uma maior insegurança e humilhação no parceiro, como se fosse um favor estar com ele, então ele deveria estar agradecido e submeter-se à quaisquer regras que forem estipuladas pelo Evitante.

• Usando o “ex fantasma” como desculpa para não aproximar-se ou entregar-se emocionalmente à outra pessoa. Isso ocorre, quando após a separação a Evitante, fantasia sobre o ex que agora após a separação parece perfeito, ignorando todas as imperfeições, dele, dela e do relacionamento na época.

E sendo assim, agora compara todos os novos pretendentes ao seu ex “perfeito” e por isso ninguém nunca está a altura, dessa forma pode justificar a falta de química ou intimidade por essa nova pessoa não ser tão ótima quando seu ex.

• Uma variação da estratégia acima é seguir a mesma lógica distorcida, porém focada no futuro e na “Alma Gêmea”. Onde à qualquer obstáculo, dificuldade mesmo que pequena no relacionamento, a Evitante racionaliza que ela não é a Alma Gêmea ou a pessoa certa para ela, porque se fosse tudo transcorreria perfeitamente no relacionamento, tranquilo e tudo seria perfeito. Então, já que é assim, melhor não se apegar muito à essa pessoa já que tudo está fadado ao fim.

• Flertar com os outros uma maneira dolorosa de introduzir insegurança no relacionamento.

• Não dizer “eu te amo” enquanto que insinua que você tem sentimentos em relação a pessoa.

• Se afastar quando as coisas estão indo bem no relacionamento. (por exemplo, evitar em se falar por vários dias após uma encontro íntimo).

• Formar relacionamentos com um futuro impossível, como com alguém casado.

• “Ausentar-se mentalmente” quando seu parceiro está falando com você.

• Mantendo segredos e deixando coisas nebulosas – para manter seu sentimento de independência.

• Evitar a proximidade física – por exemplo, não querer compartilhar a mesma cama, não querer ter relações sexuais, andando vários passos à frente de seu parceiro.

Essas pequenas estratégias diárias de desativação são ferramentas que ela inconscientemente usa para se certificar de que a pessoa que ela ama (ou vai amar) não vai atrapalhar sua autonomia.

Mas no final do dia, essas estratégias estão no caminho dela ser feliz em um relacionamento.

O uso de estratégias de desativação por si só não é suficiente para manter às pessoas emocionalmente distantes.

Eles são apenas a ponta do iceberg. Como um Evitador, sua mente é governada por percepções e crenças abrangentes sobre relacionamentos que garantem uma desconexão com seu parceiro e ficam no caminho de sua felicidade.

A boa notícia é que não precisa ser assim; Ela não precisa ser um escravo das forças evolucionárias. Ela pode aprender o que não vem naturalmente e melhorar suas chances de desenvolver um relacionamento gratificante.

Ansioso-Evitador

Tipos de apego Ansioso-Evitador (também conhecido como o “tipo Temeroso”) reúne o pior de ambos os mundos. Ansiosos-Evitadores não só tem medo de intimidade e compromisso, mas elas desconfiam e afastam emocionalmente quem tenta chegar perto deles.

Ansiosos-Evitadores muitas vezes passam muito do seu tempo sozinhos e miseráveis, ou em relações abusivas ou disfuncionais. De acordo com estudos, apenas uma pequena porcentagem da população se qualifica como tipo Ansioso-Evitador, e tipicamente têm uma infinidade de outros problemas emocionais em outras áreas de sua vida (isto é, abuso de substâncias, depressão, etc.).

O tipo Ansioso-Evitador desenvolvem-se em pessoas nas quais tiveram uma infância abusiva ou terrivelmente negligente. Uma pessoa com um temível apego evasivo vive em um estado ambivalente, no qual eles têm medo de estar muito próximo ou muito distante dos outros. Elas tentam manter seus sentimentos sob controle, mas são incapazes disso.

Elas não podem simplesmente evitar sua ansiedade ou fugir de seus sentimentos. Em vez disso, elas são sobrecarregadas por suas reações e muitas vezes experimentam tempestades emocionais. Elas tendem a ser imprevisíveis em seus humores.

Elas veem suas relações do ponto de vista de que você precisa para ir para os outros para obter suas necessidades atendidas, mas se você chegar perto dos outros, eles vão te machucar.

Em outras palavras, a pessoa que elas querem ir em busca de segurança é a mesma pessoa que eles estão com medo de estar perto.

Como resultado, elas não têm uma estratégia organizada para que as suas necessidades sejam atendidas por outros. Como adultos, esses indivíduos tendem a se encontrar em relações tóxicas ou dramáticas, com muitos altos e baixos.

Elas muitas vezes têm medo de ser abandonado, mas também lutam contra a intimidade. Elas podem se agarrar ao parceiro quando se sentem rejeitados, então se sentem presos quando estão próximos.

Uma pessoa com medo de evasão anexo pode até mesmo acabar em um relacionamento abusivo.

Seguro

Pessoas com estratégia de apego seguro sentem-se confortáveis ​​exibindo interesse e afeto.

Elas também sentem-se confortáveis ​​estando sozinhas e sendo independentes.

Elas são capazes de priorizar corretamente suas relações dentro de sua vida e tendem a deixar limites claros nas relações e cumpri-los.

Pessoas do tipo de conexão segura, obviamente, tendem a ser as melhores parceiras românticas, membros da família e até mesmo amigos. Elas são capazes de aceitar a rejeição e seguir em frente apesar da dor, mas também são capazes de serem leais e sacrificar-se quando necessário.

Elas têm pouco problema em confiar nas pessoas que estão perto e são confiáveis. De acordo com a pesquisa, mais de 50% da população são tipos de apego seguros. O apego seguro é desenvolvido na infância por bebês que regularmente tiveram suas necessidades atendidas, bem como receberam amplas quantidades de amor e carinho. Adultos com esse tipo de apego tendem a ser mais satisfeitos em seus relacionamentos.

As crianças seguramente apegadas veem seus pais como uma base segura a partir da qual elas podiam se aventurar e explorar de forma independente o mundo. Um adulto seguro tem um relacionamento semelhante com seu parceiro romântico, sentindo-se seguro e conectado, enquanto permitindo a si e seu parceiro para se sem quem realmente é e viver livremente. Adultos seguros oferecem apoio quando seu parceiro se sente angustiado.

Eles também vão para seu parceiro para o conforto quando eles próprios se sentem incomodados. Seu relacionamento tende a ser honesto, aberto e equilibrado, com ambas as pessoas sentindo-se independentes, enquanto ao mesmo tempo sendo capazes de amar, confiar a “depender” um do outro.

Segue alguns trechos do livro Attached de Amir Levine:

Algumas características de pessoas do estilo Seguro e como pode beneficiar suas vidas e suas relações:

• Ótimos desarmadores de conflito – Durante uma discussão não sentem a necessidade de agir defensivamente ou ferir ou castigar o seu parceiro, e assim evitam que a situação escale.

• Mentalmente flexíveis – Não são ameaçados pela crítica. Eles estão dispostos a reconsiderar seus caminhos e, se necessário, rever suas crenças e estratégias.

• Comunicadores eficazes – Eles esperam que os outros sejam compreensivos e responsivos, de modo que expressar seus sentimentos de forma livre e precisa para que seus parceiros venham naturalmente à eles.

• Não fazem “jogos” – Eles querem proximidade e acreditam que os outros querem o mesmo, então por que fazer jogos emocionais?

• Confortáveis ​​com a proximidade, despreocupados com os limites – Procuram a intimidade e não têm medo de serem “enredados”. Porque eles não são subjugados pelo medo de serem desprezados (como são os ansiosos) ou a necessidade de desengajar-se (como são os Evitadores), eles acham que é fácil desfrutar de proximidade, seja física ou emocional.

• Rápidos para perdoar – Eles assumem que as intenções de seus parceiros são boas e, portanto, são susceptíveis a perdoá-los quando fazem algo prejudicial.

• Inclinação para ver o sexo e a intimidade emocional como uma coisa complementar – Não precisam criar distância separando os dois (por estarem perto emocionalmente ou sexualmente, mas não ambos).

• Tratam seus parceiros como realeza – Quando você se torna parte de seu círculo íntimo, elas o tratam com amor e respeito.

• Seguro em seu poder para melhorar a relação – Elas estão confiantes em suas crenças positivas sobre si e os outros, o que torna esta suposição lógica.

• Responsável pelo bem-estar de seus parceiros – Elas esperam que os outros sejam responsivos e amorosos com eles e por isso são responsivos às necessidades dos outros.

Os tipos de apego nas relações


Ansioso

Como foi dito, esse tipo teme ficar só pois busca aprovação sobre o próprio valor nas outras pessoas. E por conta disso, quando está só e por consequência cada vez mais carente ao longo do tempo, por muito tempo, pode acabar por se apegar rapidamente e fortemente em uma pessoa que demonstre interesse romântico ou não, pois essa pessoa prefere constantemente fantasiar sobre como outras pessoas tem interesse nele, mesmo que não haja nenhuma evidência disso na vida real. E mesmo que as outras pessoas tentem mostrar à ela isso.

Quando duas pessoas do tipo ansioso e não seguras em si ou desequilibradas se encontram, o que ocorre são aquelas famosas “paixões” avassaladoras, onde ambos estão professando amor eterno em pouco tempo um pelo outro, vão morar juntos, etc., para a surpresa de amigos e parentes.

Claro que esse não é o único motivo para paixões avassaladoras! rs

Porém a medida que a loucura da paixão inicial, que nada mais era que a intensa “felicidade” de ter novamente suas necessidades emocionais atendidas e sua baixa autoestima validada por outro, acaba, sérios problemas começam aparecer que se não tratados dentro de cada uma das pessoas seriamente, levará ao fim tumultuoso da relação.

Porém quando são equilibradas e relacionam-se com pessoas Ansiosas também equilibradas o relacionamento pode ser muito frutífero e gratificante, pois ambas estarão sempre em sintonia e confortáveis no nível de intimidade, atenção e dedicação um para com o outro. Sentindo-se seguras e confiantes, seu sistema de apego raramente entrará em “modo perigo”.

Já quando se relacionam com Evitadores  as características descritas podem ser exacerbadas. Claro, dependendo do grau de cada um, da maturidade, e do quanto estão dispostos a se dedicar a relação, um ao outro, e o dispostos a crescer e evoluir.

Os efeitos podem ser amenizados caso relacionem-se com o tipo Seguro ou Ansioso.

Podemos perceber que a maioria das mulheres, acredito que motivos evolucionários, pertencem à esse grupo ou ao tipo Seguro. Bem como os tipos F do MBTI que em geral são do tipo Ansioso ou Seguro.


Evitador

Já nesse caso, como foi dito, a pessoa tem medo de ficar íntima e se relacionar por teme que assim que se abrir, se entregar emocionalmente a outro, ela estará “perdendo o controle”, estará aberta a ser magoada profundamente, e em algum momento será abandonada, e por isso busca qualquer justificativa para evitar formar laços emocionais.

E por isso, podem passar a vida sozinhas e se convencendo que isso é o melhor para elas, pois são independentes, focadas na carreira, porque ninguém presta ou relações são difíceis, ou prefere optar por relacionamentos superficiais só para satisfazer os desejos sexuais, porém quando começa a se envolver, fabrica qualquer motivo (desculpa) para terminar a relação e se afastar da pessoa com a qual estava formando laços emocionais.

Os efeitos podem ser amenizados caso relacionem-se com o tipo Seguro.

Já quando duas pessoas Evitantes se relacionam, mais parece uma sociedade que uma relação amorosa, e o relacionamento raramente dura. Mesmo porque, por mais contraditório que possa parecer, o tipo Evitante prefere se relacionar sempre com pessoas mais ansiosas e “carentes” que ela.

Dessa forma, conseguem controlar melhor a situação e conseguem apaziguar o medo oculto de serem abandonadas pelo parceiro e manter a ilusão de “superioridade” por serem menos dependentes.

Como ambos tem dificuldade em demonstrar afeto verbalmente ou fisicamente, apesar de ambos no fundo quererem muito isso um do outro, como não sabem como pedir (e as vezes acham até ridículo ter que pedir ou admitir para si mesmos essa necessidade), a relação fica fria e a conexão pode ficar cada vez mais distante. Acabam virando sócios para conquistar as coisas materiais da vida, criar os filhos, pagar as contas, e caminhar em direção ao futuro “juntos”, só que nunca de “mãos dadas”.

O que pode levar ao fim da relação ou por traição ou porque uma delas se cansa da aridez emocional e prefere buscar uma pessoa mais carinhosa e disponível e que supra essa falta de habilidade dela e demonstre carinho naturalmente.

Podemos perceber que a maioria dos homens, acredito que motivos evolucionários, pertencem à esse grupo ou ao tipo Seguro. Bem como os tipos T do MBTI que em geral são do tipo Evitador ou Seguro.

Ansioso e Evitador

Quando uma pessoa de cada tipo se une, pode acontecer um certo equilíbrio caso ambas já sejam muito maduras e tenham aprendido com seus erros, e trabalhado sobre seus defeitos.

Caso não, torna-se o clássico relacionamento Tom e Jerry, onde o no começo tudo está ótimo quando a paixão inicial existe, mas quando ela acaba e o Evitador volta ao seu normal e se afasta, deixa a Ansiosa cada vez mais temerosa, carente e insegura, o ciúmes começa a aparecer, e com ele as brigas, o que gera um círculo vicioso, onde a Ansiosa busca cada vez mais conexão e validação e a Evitadora sente-se cada vez mais sufocada e cobrada, e se afasta, e assim numa espiral sem fim, que inevitavelmente leva ao fim da relação ou ao comodismo, onde o Ansioso acaba abdicando de sua felicidade para acomodar o jeito do Evitador, e sendo assim ambos acabam ficando numa relação onde nenhum dos dois tem o que precisa, estagnados, e sem chance para evolução interna, a menos que comecem um trabalho consciente.

Em direção ao equilíbrio

A estatística que é apresentada no livro é de que 50% das pessoas são do tipo Seguro, 20% delas do tipo Ansioso e 25% do tipo Evitador. Mas sendo agora bem sarcástico, certeza que essa estatística não serve muito para o Brasil…comentários a parte…Anyway…

Como já foi mencionado o estilo Seguro é o mais saudável e com maior probabilidade de ter qualquer tipo de relação, e com isso, uma vida mais feliz e gratificante.

E foi dito também que nada é escrito em pedra, que com autoconhecimento,  dedicação em melhorar, identificar seus mecanismos e trabalhar para minimizar o lado negativo deles, qualquer pessoa pode torna-se plena e feliz consigo mesma e em suas relações.

O autor explica que a melhor forma para os tipos inseguros (Ansioso e Evitador) aprenderem formas mais saudáveis de viver, se relacionar e amar, seria relacionar-se amorosamente ou não com pessoas Seguras. Estando em um relacionamento com uma pessoa Segura pode levar à essa pessoa atuar como um Coach para a pessoa Insegura, uma vez que ela tem o equilíbrio emocional, uma ótima comunicação para transmitir sentimentos e emoções, ela não se vale de jogos, mentiras, não seria passiva-agressiva, e não usaria nenhum dos modos prejudiciais de comportamento que as Inseguras usam.

E a medida que a relação se desenrolasse, a pessoa Insegura, iria com a própria dedicação, autocritica e sincera vontade e disciplina em mudar, caminhando mais para o meio termo, ou seja estilo de apego Seguro. E estar numa relação com uma pessoa Segura seria um ambiente propício para esse desenvolvimento, pois ela estaria segura e num ambiente sem crítica, nutrido por amor e compreensão, ao lado de uma pessoa que a princípio seria saudável na parte que lhes falta e poderia servir-lhe de modelo.

Não só estando em uma relação amorosa, mas a pessoa do estilo Inseguro deveria mapear todas as pessoas Seguras que se encontram em sua vida, e começar a estudá-las, modelar seus comportamentos, ver como elas lidam com as situações do dia a dia e em suas relações com outras pessoas e principalmente em suas relações amorosas. E assim, a Insegura poderia questionar seus próprios comportamentos, e trabalhar para mudar sua “programação” inata e seus traços psicológicos indesejados em busca do equilíbrio.

Outra coisa, seria trabalhar a comunicação efetiva, e aprender a comunicar suas necessidades reais de forma clara, consciente e amorosa à seu parceiro. Ao invés de guardar rancor, emoções, até o ponto em que elas explodem e, ou gera drama e tempestades emocionais (Ansioso) ou distanciamento, ignorar a realidade ou fugir da situação (Evitador).


Segue alguns trechos do livro Attached de Amir Levine:

Como o conceito de comunicação eficaz, os princípios também são muito simples:

1. “Use o seu coração na sua manga”. A comunicação eficaz exige ser genuíno e completamente honesto sobre seus sentimentos. Seja emocionalmente corajoso!

 2. Concentre-se em suas necessidades. A ideia é obter suas necessidades claramente. Ao expressar suas necessidades, estamos sempre nos referindo às necessidades que levam em consideração o bem-estar de seu parceiro. Se eles acabam machucando ele ou ela, você tem certeza de se machucar também; Afinal, você e seu parceiro são uma unidade emocional.

Ao expressar suas necessidades, é útil usar verbos como necessidade, sensação e desejo, que se concentram no que você está tentando realizar e não nas deficiências de seu parceiro:

• “Preciso me sentir confiante no relacionamento. Quando você conversa com a garçonete, eu sinto que estou em “gelo fino”. ”

• “Sinto-me desvalorizado quando você me contradiz na frente de seus amigos. Eu preciso sentir que você respeita minhas opiniões.”

• “Eu quero saber que posso confiar em você. Quando você vai a bares com seus amigos, eu me preocupo muito que você vá me trair. ”

3. Seja específico. Se você falar em termos gerais, seu parceiro pode não entender exatamente o que você realmente precisa, o que pode diminuir suas chances de ser compreendido.

Indique exatamente o que está incomodando você:

• Quando você não fica comigo a noite…

• Quando você não se comunica comigo todos os dias…

• Quando você disse que me amava porém depois…

4. Não culpo. Nunca faça seu parceiro se sentir egoísta, incompetente ou inadequado. Comunicação eficaz não é sobre como destacar as deficiências da outra pessoa, e fazer acusações rapidamente levá-lo longe do ponto e em um jogo de duelo.

Certifique-se de encontrar um momento em que você está calmo para discutir as coisas. Você descobrirá que a tentativa de usar a comunicação eficaz quando você está à beira de explodir é uma contradição em termos – você provavelmente vai parecer zangado ou julgador.

5. Seja assertivo e não-apologético. Suas necessidades de relacionamento são válidas. Embora pessoas com diferentes estilos de apego não vejam suas preocupações como legítimas, elas são essenciais para a sua felicidade, e expressá-las autenticamente é crucial para uma comunicação eficaz.

Este ponto é especialmente importante se você tem um estilo de apego ansioso, porque a nossa cultura incentiva você a acreditar que muitas de suas necessidades são ilegítimas. Mas se eles são legítimos ou não para outra pessoa está fora de questão. Eles são essenciais para a sua felicidade, e isso é importante.

Impressões

Ufa, tocamos em assuntos muito sérios e pesados, não foi?

Nada disso, pois ninguém precisa ficar e viver com a mesma psicologia com a qual nasceu e foi criado. Nem com as marcas e traumas que teve ao longo da vida. Alias, tem toda uma ciência criada em torno disso, chamada Psicologia. rs

E é por isso que gosto muito da teoria de personalidade MBTI, entre outras.

O problema é que todos estamos tão focados em conquistar as coisas fora de nós mesmos, carreira, dinheiro, bens materiais, sucesso, fama, e poder posta-los nas mídias sociais, que esquecemos que o principal e a coisa mais importante da vida está dentro. Pois a única coisa que jamais poderemos fugir em toda nossa vida, é de nós mesmos, e de todas as consequências do que somos.

 

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Referências

Mark Manson: Attachment Theory

Lisa Firestone Ph.D: Attachment Theory

Levine, Amir. Attached: The New Science of Adult Attachment and How It Can Help You Find and Keep Love

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